Você não é realmente essencial?

Lucas Nunes
January 27, 2021
Os governos referem-se a todos os negócios que estão forçando a serem fechados como serviços não essenciais para a economia. Mas para quem esses negócios e trabalhadores não são essenciais?

Políticos e “experts”, do alto de suas torres de marfim, decidiram que uma grande percentagem da população não é essencial e que essas pessoas deveriam ficar simplesmente trancadas dentro de suas casas indefinidamente. Em sua perspectiva autoritária, eles são iluminados o suficiente para determinar quem é útil e quem é inútil e o que nós, as pessoas, precisamos e não precisamos. Eles estão fazendo escolhas por nós, infantilizando milhões de indivíduos, ao mesmo tempo que forçam muitos à pobreza, removendo várias de nossas liberdades, incluindo a liberdade de trabalhar e comercializar.

De um dia para o outro, mudamos de um mercado relativamente livre para uma espécie de economia e modelo de sociedade com planejamento centralizado. Graças a este novo normal autocrático, controlado por uma elite que desconsidera diversas constituições de diversos países e que nada produz (políticos e especialistas que os aconselham), milhões de indivíduos produtivos tornaram-se, repentinamente, improdutivos.

A classe dominante nos tem pedido para sacrificar tudo. As pequenas e médias empresas, espinha dorsal deste país (Irlanda), são forçadas à falência e enquanto muitas famílias, de trabalhadores e empresários, têm seus rendimentos reduzidos devido às restrições. Mas que sacrifícios nossa classe dominante está fazendo? Na verdade, em 2020, na Irlanda, os salários do TDs (parlamentares) saltaram para mais de € 96.000 e os seus salários devem aumentar para ainda mais perto de € 100.000 em 2021. Isso não parece um sacrifício, pelo contrário, foram recompensados às custas do contribuinte em tempos de adversidade.

O que de essencial os membros do governo estão fazendo, visto que vivem dos contribuintes sem criar quaisquer serviços ou bens? Talvez tomando uma cerveja no bar do Dail (parlamento irlandês) enquanto, ironicamente, forçam os bares irlandeses e várias outras empresas à falência? Claramente, legislar assim não conta como algo essencial, na verdade, é o contrário. A destruição da riqueza é absolutamente desnecessária e os seus altos salários que são roubados dos contribuintes, através de impostos, também não são essenciais. Principalmente depois de destruir grande parte de sua receita.

Parte dos prejuízos das políticas de confinamento, impostas pelas autoridades, pode ser constatada no mercado de varejo. O varejo irlandês caiu mais do que em qualquer outro lugar da Europa, de acordo com a Retail Ireland, grupo Ibec que representa o setor de varejo. O estudo excluiu mercados e farmácias, pois essas áreas não são consideradas “não essenciais” pelo governo.

Na verdade, essas elites que determinam todos os aspectos de nossas vidas não têm “skin in the game” (não possuem nada em risco). Não importa para eles se nossos meios de subsistência, projetos de vida e sonhos são destruídos. Não haverá simpatia deles se não pudermos pagar nossas hipotecas no final do mês, se as empresas fecharem definitivamente, se perdermos tudo o que temos, pois, seus grandes salários e privilégios são sempre concedidos.

Por que as pessoas que estão tão desligadas das lutas diárias dos cidadãos comuns têm tanto poder para determinar que as pessoas precisam sacrificar tudo? Muitas dessas pessoas que tomam decisões por nós nunca criaram um emprego, nem um único serviço útil, nem um bem de consumo, mas são audaciosas o suficiente para dizer a milhões de nós que não somos essenciais, que tudo o que fizemos em nossas vidas não é essencial.

Trabalhadores e empresários não devem aceitar esse tipo de tratamento de uma classe que nada faz senão sugar os frutos de nosso trabalho. Nós somos essenciais. Todas as pessoas que estão criando bens e prestando serviços sob demanda de mercado em troca de alguma remuneração são essenciais. Todo comércio voluntário é essencial. Essencial para alguém que deseja o que você está oferecendo e também essencial para você mesmo colocar a comida na mesa.

Eventualmente, essa situação vai passar, mas os contribuintes que agora são rotulados como não essenciais vão pagar a conta da incompetência, não os políticos, não os especialistas. Empresas que faliram, nunca mais retornarão. Não haverá restituição de todos os danos causados ​​pela classe dominante aos outros indivíduos que compõem a sociedade, porque eles nunca seriam capazes de pagar qualquer reparação. O governo não tem dinheiro algum. Tudo o que o estado dá, é tirado de outra pessoa.

Os políticos e especialistas com suas miopias não conseguem ver que as pessoas que eles chamam de não essenciais, na verdade, são aquelas que pagam os seus altos salários, financiam o sistema de saúde e todas as outras despesas do governo também. Os gastos, até agora, continuam, mas a receita, ao contrário, está sendo afetada, pois negócios e trabalhadores estão paralisados ​​há quase um ano.

 Que tipo de mundo eles estão imaginando para nós? Um mundo de subsistência? Um lugar em que uma elite determina o que pode ser produzido, feito e consumido? O socialismo é um modelo falho. Já foi posto em prática em países como a URSS, e os resultados eram terríveis para seus habitantes, um local cheio de escassez de produtos, que hoje temos em abundância. Este modelo antiquado ainda está vivo em lugares como Coreia do Norte e Cuba, lugares pobres, lugares opressores. Precisamos de nossas liberdades de volta para termos nossa prosperidade de volta. É muito fácil destruir algo, mas reconstruir leva muito tempo. E, honestamente, até agora, não há sinais de que essas restrições exageradas e sem sentido irão embora tão cedo. Segundo alguns especialistas e autoridades, essas restrições deveriam todas fazer parte do “Novo Normal”, mesmo após esse período ter passado. Pode ser que muitos de nós sejamos constantemente tratados como não essenciais por aqueles que nada produzem e que lucram com o pânico se continuarmos a aceitar isso.